quarta-feira, março 21, 2007

UXU XUKALHA ÉVORA » 24 DE MARÇO

Parece que temos uma sina com
o 24 (tocamos quase sempre a 24 e ... ainda bem :-)
Desta vez é o regresso a Évora para tocar num palco grande
no Jardim Público da Cidade.
24 de MARÇO lá para as 23h30 » Entrada Gratuita.
Até Já!

18 comentários:

Paulo disse...

Quem sao os "The Gift"?

VJ Tia 60 disse...

o pior grupo português...
estou muito triste o diabo acusou o meu blog de fascista
que fazer?

TZ disse...

Meu caro vj tia 60, responder em futebolês do norte: "Olhe que não" :-)
Ainda não vi esse comentário ... mas devo dizer que a discussão sobre as músicas e as danças tugas foi/é interessante ... tinha inclusivamente escrito um post mas optei por não publicar. Sou novo nestas coisas e não escondo o percurso que me trouxe até aqui. Venho do rock, das clássicas, do jazz e do main stream ... agora apaixonei-me pelo up stream e quero subir o rio de guitarra em punho!
Meu caro Vj, o teu trabalho é fundamental e tu sabes isso.
Meu caro Paulo, a revolução (seja a que escala for) é, de facto, inevitável. Com ou sem catalizadores, é verdade. Podemos sempre meter-lhe o turbo para ainda curtirmos a "cena" sem bengala :-)
As tuas sugestões fazem todo o sentido.
Tuga Power, no nosso tempo (que é aquele em vivemos).

Anónimo disse...

Deixem-se disso e vão ver o "Waiting for Europe" em Évora , a 27 de Março ás 21.30h , entrada gratuita no Cineclube da Universidade de Évora, Auditório Soror Mariana. Estão todos convidados!!!
Tem lá uma música aftershave do compositor Christoph Korn, uma experimental de 2060. até arrepia!!

TZ disse...

está quase confirmado ...

Anónimo disse...

é o pior documentario que vi nos ultimos tempos, mais uma vez nao me chamem fascista só tenho opiniao e nasci do contra é como o meu matias

TZ disse...

ainda não vi o documentário ... não posso comentar ... dia 28 direi qq coisa :-)

Provedo disse...

Também achei fraquinho de facto, mas nada como ver, nem que seja porque a realizadora (christine Reeh)é muito simpática!

TZ disse...

eu bem dizia ... a coisa foi adiada em Évora. Parece que vai ser no dia 17 ... nesse caso, comentarei no dia 18 :-)

TZ disse...

p/ conhecimento ... hoje temos o mestre Joaquim Soares no Palácio D. Manuel (aqui em Évora) as 21h30 para cantar o cante com quem quiser aparecer ...

Daniela disse...

Caros Uxu Kalhus, queria apenas dizer que adorei o concerto em Évora. Tenho pena de não vos ter conhecido mais cedo. Mas já dizia o outro: mais vale tarde que nunca ;)

Dia 24 (pois é, 24 outra vez) de Abril cá vos espero, desta vez num espaço fechado (SOIR). Muita dança não vai faltar de certeza.
:)

Anónimo disse...

Sobre a estreia do "Waiting for Europe", devo informar que foi adiada para dia 18 de Abril, ás21.30h com o apoio do Cineclube da Universidade de Évora,no Auditório Soror Mariana.
Quanto ás críticas, a C.R.I.M Produções, abriu um concurso de crítica aberto a estudantes e outro para imigrantes.
A revista "Cinema" da Federação dos Cineclubes, dá especial destaque a este filme (documentário intimista, cinema-reflexão) e traz uma entrevista com Christine Reeh, que ali pode ser lida.
Claro que o documentário tem uma visão feminina da imigração, os sonhos da adolescente bem longe da realidade vivida em Portugal e Espanha, os contratos de trabalho não existem, em Esapanha a personagem vive num gueto em Alcalá de Henares e a sua vida, é um percurso da perda de direitos da mulher, que fica mais claro quando o filme documenta na Bulgária a opinião dos pais, a vida real no capitalismo mafioso búlgaro, etc.
Respeitamos todas as opiniões, mas recordo que o filme foi seleccionado para a competição do DocLisboa, do Festival Independente de Cinema e Video de Nova Iorque, etc,etc.
Á s vezes estamos tão habituados á sociedade de consumo e aos seus filmes de herois machistas, que temos dificuldade em fazer uma pausa para reflexão.

VJ Tia 60 disse...

Começam as respostas as não ofensas, chamo me Tiago Pereira e sou documentarista, tambem estive no doc lisboa, acho que sou livre de dizer o que penso, o filme carece de ritmo, cativação dos espectadores, alem de que é pobre ao quanto o tema tem para oferecer e carece fundamentalmente de linguagem de autor, que é para mim o mais importante. Isso de ser filmado noutros sitios e de ser selecionado não quer dizer nada
mas enfim. Conheçio o trabalho da Cristine , não falo de cor, gosto muito do seu primeiro filme, em que como falava sobre a sua vida, tinha uma autoria muito marcada, agotra quando od documentarios começam a parecer repotagens televisivas, acho fracos e à espera da europa, é quanto a mim um documentário fraco e ficava feliz se fossem assim honestos nas criticas aos meus, agora ficarem ofendidos defenderem se e não assinarem, desculpem lá mas já não há poachorra, assumam se.
Tiago Pereira a.k.a. VJ Tia 60. é que eu dou sempre a cara.

Anónimo disse...

Caro Tiago Pereira

Um dos problemas dos nossos cineastas é que não toleram o sucesso dos outros.
Tem todo o direito a fazer a promoção dos seus filmes, a achar que eles são os melhores do mundo, sem ter que destruir os filmes dos outros companheiros do cinema português.
Sugiro-lhe que leia a revista "Cinema" da Federação dos Cineclubes, que faz um dossier sobre o "Waiting for Europe". Ali pode ler a crítica fundamentada de Paulo Teixeira Duarte. São seis páginas sobre um documentário que você despreza e que ele valoriza.
Recentemente o mesmo documentário ganhou um prémio em Los Angeles (The Best Internacional Documentary (Short)).
Acho que independentemente das opiniões, devemos respeitar o trabalho dos cineastas.
Em Portugal, há uma tradição crítica, próxima da má lingua, ou da crítica ligeira.
Quando leio o texto da revista "Cinema", um texto bem fundamentado teoricamente, vejo que há uma profunda distância entre a crítica fundamentada e as intuições críticas.
Pessoalmente gostei do seu documentário sobre os burros e acho que deve continuar a fazer o trabalho que faz. Todo o trabalho cinematográfico tem fragilidades próprias das dificuldades financeiras com que se trabalha em Portugal.
No "Waiting for Europe", fez-se um esforço de produção, procurando filmar em três paises e Christine adoptou uma postura intimista e de recriação da personagem que pode não agradar aos fundamentalistas do documentário.
Mas para mim, pessoalmente, trata-se de um olhar feminino e intimista, na margem da ficção e como tal abrindo caminhos ao cinema-documentário.
A minha postura em relação ao cinema português é o de aceitar totos os experimentalismos e o de tentar apoiar, através de uma distribuição eficaz, a necessidade de que os filmes sejam vistos, sejam confrontados com os espectadores e não fiquem nas gavetas dos produtores.
Não aceito cinema só para pequenas elites. Por exemplo um dos filmes apoiados peli ICAM, teve 65 espectadores. Temos de confrontar-nos com os diferentes publicos.
Qual é o problema dos documentários poderem ser vistos por mais gente?
O qu será isso de "documentários televisivos"? É uma crítica? É um mal estar?
Este tipo de debate já existiu também na literatura portuguesa, quando alguns críticos lamentavam a literatura "comestível".
Saramago lia-se muito, logo não podia ser bom.
Um documentário que teve um prémio em Los Angeles também não pode ser bom, embora o prémio seja de um festival independente.
Acho que todos temods de ter uma postura diferente, respeitando o trabalho de todos criadores sérios.
O seu filme foi interessante, mas deve dar espaço aos outros filmes, sem "invejas".
Entre a crítica fundamentada de Paulo Teixeira Duarte, revista "Cinema" , da Federação dos Cineclubes, nº 37 e a crítica " é o pior documentário que vi nos últimos tempos" vai uma grande distância.
Transcrevo para si a crítica da revista "Cinema".

“Waiting for Europe”
(Ou a História de Vânia )

Paulo Duarte Teixeira
(Juiz, Presidente da Associação Jurídica do Porto)

É habitual definir o documentário como o género cinematográfico que retrata de forma mais objectiva a realidade. O primeiro filme, considerado um marco histórico do género foi Nanook of the north (1922) de Robert Flaherty, que narra a luta pela sobrevivência de uma família de esquimós na Baia de Hudson. O que destacou esse documentário dos demais filmes de viagens feitos na época, foi, contudo, o facto de ele incorporar às imagens naturais, estratégias próprias da narrativa ficcional, incluindo, por isso, uma estrutura dramática e narrativa .
A estrutura dramática clássica é formada por personagens, espaços de acção e conflito. Por sua vez a estrutura narrativa implica a narração dos eventos, a organização da estrutura dramática em cenas e sequências que se sucedem de modo lógico. Deste modo, apesar de um documentário manter uma relação de grande proximidade com a realidade, com diferentes gradações, mas em regra, mais acentuada do que na narração ficcional, aplica também procedimentos próprios do cinema, nomeadamente: escolha de planos, preocupações estéticas de enquadramentos, iluminação, montagem, utilização de musica de fundo, etc.
Esta natureza híbrida tem vindo a ser acentuada a partir dos anos noventa, de tal modo que se pode afirmar que a actual produção contemporânea de documentários passa por uma encruzilhada , na qual a intervenção subjectiva do realizador é um forte elemento da narrativa, de tal modo que a ideia que este pretende transmitir, nalguns casos, sobrepõe-se, e noutros, condiciona de forma decisiva a estrutura dramática e narrativa do tema escolhido .
Estes documentários, denominam-se performativos, na medida em que são produções mistas, nas quais o filme é um processo e não um meio para entender o mundo, pois, o autor/personagem constrói um discurso afectivo, a partir da sua visão subjectiva da realidade. Em regra, esses documentários aproximam-se mais da ficção do que da reportagem, pois, utilizam instrumentos de dramatização, nomeadamente através de “ um inicio personalizado e de um final dramático” , e mediante uma personalização através da presença do documentarista.
Quanto a nós “Waiting for Europe” insere-se de forma discreta nesta corrente.
Desde logo porque a realizadora apesar de nunca ser retratada está sempre presente: o primeiro plano consiste na Vânia a dirigir-se a alguém que se encontra por trás da câmara dizendo que interveio no filme porque era “sua amiga”. Esse plano (curiosamente filmado em Estúdio e por isso com um grau elevado de abstracção do real) é retomado no final. Acresce que na cena porventura mais afectiva e dramática, perto do final do filme na qual a Vânia e o Ivo confessam olhando para a câmara os seus anseios e esperanças “vislumbra-se” também essa presença. Deste modo, a presença da realizadora é intuída ou demonstrada nos momentos chaves do filme, ou dito de outro modo, a realizadora é uma personagem/participante não visível mas central, na medida em que condiciona a personagem principal.
Em seguida, porque a objectividade está dependente da representação dos dois lados da questão. Nessa matéria a imagem e a questão primordial de Waiting For Europe centram-se na “personagem”principal (Vânia) e nos familiares ou pessoas que lhe são próximas e limita-se a expor essa percepção da realidade.
Depois, seguindo a análise de Nichols, a ordem e escolha dos entrevistados, a colocação da câmara, a luz e sequência das estações do ano, são utilizados para salientar mais do que uma mera narrativa, um autêntico percurso dramático da protagonista.
Por fim, a própria musica, apesar, de escassa, é utilizada para enfatizar certas situações dramáticas, visando suscitar através de canções sentimentos (e identificação com os personagens). Nesta matéria a música final "Mila Rodino" (Querida Terra Nativa) que é o hino nacional da Bulgária, adoptado ainda na época comunista, é utilizado não apenas para densificar o conflito das personagens (apego ao seu país versus necessidade de imigrar), mas também o drama entre a esperança de um futuro melhor e o cepticismo de outras utopias políticas passadas que já enterraram outros amanhãs que também cantavam.
Parece-nos licito, por isso, concluir, nesta primeira etapa de definição do objecto a apreender, que “Waiting for Europe”, apesar de respeitar formalmente as características do cinema documental não representa a realidade tal como ela é. Bem pelo contrário, neste documentário, assim como na ficção, estamos perante uma representação parcial e subjectiva do mundo, pois, vemos uma história de imigração pelos olhos, afectos e voz da sua protagonista sob a sombra tutelar da realizadora/documentarista. Deste modo, Waiting for Europe distancia-se do real, através do seu discurso, dos seus traços, e por isso transcende uma função de mero veículo objectivo de um fenómeno para ser ele próprio o produtor da História da Vânia.

2. Mas aqui chegados cumpre perguntar qual é então o objecto deste documentário. Será a imigração Europeia como parece resultar do título?
Parece-nos que não.
Em termos clássicos a narrativa cinematográfica está estruturada em três momentos: o primeiro visa expor a história do protagonista; num segundo momento relatam-se as relações que este mantém com os restantes personagens (tramas ou sub-tramas); por fim, num terceiro plano narrasse a evolução interna dos protagonistas (arco de transformação da personagem).
Se notarmos bem este documentário respeita esta construção clássica, pois, mais não é do que um olhar ambíguo, e atrevo-me a dizer afectuoso, sobre vários percursos que se cruzam entre si na figura central e belíssima da Vânia, sua personagem principal. Vânia ex-modelo Búlgara atravessa a Europa para procurar trabalho em Lisboa com o apoio do Ivo seu ex-namorado com o qual inicia depois uma relação. Os vários problemas que sofreu na sua integração pessoal e profissional poderiam ser facilmente definidos como o núcleo central deste objecto. Com efeito, descrevem-se as dificuldades linguísticas da “protagonista”, as agruras na obtenção de um emprego mal remunerado e precário, as vicissitudes no relacionamento com os instrumentos de controlo social (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) e por fim o insucesso económico de uma tentativa de explorar autonomamente um pequeno negócio “tasca”. Nesta óptica este documentário poderia ser caracterizado como o olhar pessoal sobre um percurso de imigração de uma jovem emigrante de Leste (Bulgária) e do seu agregado familiar mais próximo em Portugal e Espanha.
Parece-nos porém que esse contexto mais não é do que um verdadeiro pretexto para subtilmente, com mestria e contenção expor o verdadeiro percurso dramático que é, esse sim, o ponto central deste documentário/ficção. Essa trama na qual todas as outras menores se cruzam é no fundo a história da Vânia os seus sonhos, desejos, aspirações e desilusões. Deste a esperança inicial que a leva cruzar a Europa para ir viver para Lisboa. Passando pelo momento de autonomia e independência que nessa cidade a leva a explorar um pequeno negócio contra a opinião do seu então já companheiro. Até ao momento de total dependência económica face a este, depois de terem ambos abandonado Portugal e passado a residir em Espanha, porque o Ivo aí tinha obtido um emprego melhor remunerado. Note-se que nessa fase a própria luz utilizada (baça e fosca), bem como a estação do ano (Inverno) salientam o progressivo isolamento da Vânia enquanto protagonista de um percurso autónomo, por contraposição à luminosidade intensa de Portugal e Lisboa, precisamente nas sequências iniciais que ocorreram na fase em que a autonomia e esperança da Vânia eram intensas e por isso o seu futuro correspondia à luminosidade solar. Nesta matéria, o ponto paradigmático, demonstrativo de que a trama principal é a “História de Vânia”, é quanto a nós a exposição por breves instantes de fotografias em que esta pilota um avião. O sorriso intenso, a luz forte e ofuscante que a rodeia nunca mais serão repetidos no resto do documentário. A partir daí constatamos uma lenta transformação da sua relação com o mundo (exclusão), e com o Ivo (dependência), fenómenos paralelos e interdependentes entre si que vão até uma total dependência económica da Vânia (entretanto desempregada) face ao Ivo e do seu relacionamento na sociedade espanhola ser efectuado exclusivamente com outras emigrantes.
Este documentário descreve também claramente a transformação intensa da relação afectiva entre a Vânia e o Ivo (sub-trama). Inicialmente como meros namorados com reservas em relação a planos de futuro (imagem inicial realizada em Lisboa), terminam o filme no interior da casa que pretendem recuperar assumindo já que: “o importante é o trabalho do Ivo” (Vânia) e que gostariam de ter “dois filhos”.
Deste modo se numa primeira análise este documentário parece abordar principalmente o problema da imigração em Portugal, depois, tendo em conta a utilização dos recursos narrativos: personagens, sentimentos invocados e sua evolução, a acção, o conflito entre personagens (Ivo e Vânia) entrevistas, as imagens, a música e o silêncio, esse silêncio opressivo que rodeia a Vânia na sua solidão Espanhola, parece-nos seguro que a historia central é a da Vânia, que nessa medida se representa a si própria, pois, sem o seu conflito e evolução interior não existiria drama, e sem drama não existiria aquela concreta história.

3. Todavia, existe uma pequena sequência no documentário, no decurso da entrevista da mãe da Vânia, em que o real (a sociedade e o direito) invade e ameaça o espaço dos afectos. Diz-nos a mãe da Vânia ter medo que caso a sua filha não consiga entrar novamente em Espanha (encontrava-se na Bulgária a visitar os seus parentes no Natal), a sua relação com o Ivo, que tinha autorização de residência, iria terminar. Por isso a mãe da Vânia expressa o medo do “carimbo negro” que impedindo a permanência da filha na Europa implicaria também a ruptura afectiva dessa relação.
Note-se aqui o pequeno, mas feliz simbolismo, entre o negro da morte e o fim de uma relação por causa de um carimbo também ele negro. Por certo, sem querer, a realizadora expressou numa curta imagem a dualidade entre o negro do sistema jurídico (leis de emigração) e o mundo dos afectos. Curiosa imagem, porque, os magistrados e advogados (actores do sistema jurídico) utilizam trajes (becas e togas) negros. Tradicionalmente porque esses mesmos trajes derivam de hábitos do clero que inicialmente desempenhavam essas funções. Mas simbolicamente também, porque o negro da toga e da beca, com a sua ausência de cor simboliza a indiferença perante a cor da vida, e é sinónimo de abnegação e de privação .
Este episódio, na fase do documentário em que se desenrola, na qual o espectador tem já uma ligação afectiva paulatinamente construída com a personagem Vânia, significa quanto a nós uma critica à politica de imigração nacional e europeia.

4. A problemática da imigração e do seu controlo é antes demais um fenómeno, com evidentes repercussões políticas, directamente ligado ao lugar do outro minoritário numa determinada sociedade. Cumpre relembrar que as funções actualmente desempenhadas pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, faziam parte do âmbito de competência exclusiva da Direcção Geral de Segurança do Estado (DGS) até ao 25 de Abril de 1974 . Deste modo o problema da imigração e integração não é apenas uma questão politica e geográfica, mas também e essencialmente uma ligação humana e social geradora de integração ou exclusão do outro, do diferente, do estrangeiro.
A história recente da imigração portuguesa pode ser dividida em três momentos . O primeiro durante os anos 60 como forma de compensar os portugueses que tinham emigrado para a Europa do Norte e América. O segundo, durante os anos 70 com o início das guerras pela independência nas várias regiões do ultramar português que definiriam um novo período na história da imigração portuguesa. Altura em que os fluxos migratórios passam a assumir um carácter regular e contínuo e são predominantemente provenientes dos países africanos lusófonos. O terceiro, durante as décadas de 80 e 90, no qual se manteve a predominância dos movimentos migratórios provenientes daqueles países, entre os quais se destaca o número de cabo-verdianos, ao qual se viriam juntar os imigrantes brasileiros. O final dos anos 90 implica novos contornos para a imigração portuguesa. Acentua-se a imigração oriunda da União Europeia e surge um novo foco com origem nos países de leste e do centro de Europa.
Todavia, ao contrário da percepção social sobre esse fenómeno, os números mais recentes permitem concluir que a percentagem de imigrantes na população activa nacional é de apenas 5.3% (2002) quando, por exemplo na Áustria atingia 10,9%, Alemanha 9,2% e Espanha 4.5%.
Paradoxalmente os portugueses parecem desvalorizar o contributo económico dos trabalhadores imigrantes . Não deixa de ser interessante notar, neste documentário que a aparente integração da Vânia (explora um pequeno negócio e fala português) é veladamente ameaçada pela atitude quase boçal do seu “patrão”, que após a empregar e ceder a exploração da sua tasca mediante um preço que não permitia qualquer lucro a esta refere que “a Vânia teve muita sorte porque com outro patrão …” (sugerindo uma forma de exploração sexual).
Tradicionalmente, nós portugueses gostamos de nos afirmar como um país de brandos costumes onde não existe racismo ou formas de exclusão; mas esse fenómeno de xenofobia (que fica apenas aflorado no documentário), parece ser latente e é sempre mais vivo em períodos de crise económica, quando se difunde a ideia de que o imigrante é concorrente directo do nacional e, que por isso, põe em risco a sobrevivência deste.
Sociologicamente este preconceito pode ser definido como a partilha de atitudes sociais ou crenças cognitivas derrogatórias, a expressão de sentimentos negativos, ou a manifestação de comportamentos hostis ou discriminatórios contra membros de um grupo, decorrentes da sua pertença a esse grupo.
Um curioso estudo realizado em 2003 sobre a Representações (imagens) dos imigrantes e das minorias étnicas na imprensa pelo Observatório da Comunicação concluiu que “Os media, mais do que reforçar tendências latentes na sociedade, contribuem para a construção social da discriminação étnica, através das saliências temáticas atribuídas às minorias no contexto da violência e do crime. Ao mesmo tempo que dão visibilidade a estas temáticas, os media tendem a apagar os contextos sociais e políticos desses fenómenos, fazendo da exploração das diversas formas de violência (física e simbólica) as imagens de síntese de um grupo em situação de “ilegitimidade social” .
Historicamente George Duby salientou também que “no tempo de S.Luís, as hordas vindas de Leste provocaram angústia (…) o medo do estrangeiro apodera-se de novo das populações. Contudo a Europa soube digeri-lo e integrar (…). Estas invasões estimularam o crescimento económico”. Ou seja, a representação negativa relativa ao actual fenómeno de imigração não possui fundamentos racionais, e omite os importantes contributos económicos e demográficos da mesma.

5. Do ponto de vista demográfico note-se que o continente europeu poderá perder população na primeira metade do século XXI e a importância demográfica desta região no mundo, que foi de 22% em 1950 e de 12% em 2000, poderá atingir os 7% em 2050.
Portugal, em 2001, já apresentava níveis de envelhecimento significativos, pois, o número de pessoas idosas (com 65 e mais anos) era superior ao número de pessoas em idade jovem (com menos de 15 anos). Esta tendência para o envelhecimento das estruturas etárias agravou-se a partir dos anos 80. Acresce que no futuro, em virtude da actual composição etária da população de Portugal e dos baixos níveis de fecundidade e de mortalidade existentes, a tendência de envelhecimento das estruturas etárias deverá prosseguir, pelo que a população em Portugal deverá apresentar, em 2021, níveis de envelhecimento bastante superiores aos que se observaram em 2001.
Face a esses dados parece lógico concluir que o número de imigrantes ainda representa uma pequena parte da população residente em Portugal. Segundo o último Recenseamento Geral da População (2001) apenas 2,2% dos residentes em Portugal não tinham a nacionalidade portuguesa, percentagem que é claramente inferior à verificada, no final dos anos 90, para a EUR: 15 (5%) e ainda mais distante do valor do Luxemburgo, país que apresenta a percentagem mais alta (35%) no seio do espaço comunitário (Eurostat, 2002. a).
Por outro lado, do ponto de vista económico, um curioso estudo de André Corrêa D´Almeida , demonstra que tendo em conta, fundamentalmente a inexistência de custos sociais de formação e de menores custos em termos de segurança social, cada imigrante legal em Portugal representa um saldo favorável para as contas públicas de 1.035,00 euros/ano, num total de 323.605.900,00 euros. Nesta perspectiva e segundo a análise “conservadora” deste autor a legalização de cerca de 50 mil estrangeiros em situação ilegal corresponderia a um desperdício de recursos para o estado em 10,4 milhões de contos.

6. Nesta medida parece ser evidente, tal como decorre do filme, o efeito benéfico da efectiva integração dos emigrantes na sociedade portuguesa, enterrando, definitivamente o preconceito de que são fonte de problemas. Nesta medida Waiting For Europa é intencionalmente feliz, ao retratar um percurso de integração da Vânia e do Ivo na sociedade Portuguesa que, sem ser pleno é satisfatório. Note-se, por exemplo, a sentimental representação da passagem do natal da Vânia com os seus familiares Búlgaros, que incluiu a tradicional missa do galo e troca de prendas em termos semelhantes (e por certo foi essa a intenção) aos nacionais. Realce-se, também, a partilha de novos hábitos e saberes, simbolizados pelos bolos que a Vânia introduz na pequena “tasca” Lisboeta, e nos hábitos dos seus consumidores. Veja-se por fim o esforço de domínio da língua portuguesa efectuado pela Vânia que a adopta mais tarde para comunicar em Espanha.
Saliente-se aqui a forma como o documentário representa a família da Vânia e do Ivo que, sem substanciais diferenças culturais face ao quotidiano nacional (afectos, esperança num futuro melhor, saudade), através até de uma edição mais proposicional e de um ritmo mais rápido, com uma técnicas de edição semelhantes à ficcional, na qual o aspecto afectivo da cena é aumentado através da luz.
Nesta medida o documentário é paradigmático (poderia até ser criticado por ter uma visão demasiado “simplista”), na forma como revela os principais problemas com os quais os imigrantes se deparam no processo de integração: domínio da língua; obtenção de trabalho; conhecimento dos procedimentos legais e administrativos . Nesta matéria será útil referir também a frase emblemática do recente filme “A Juventude em Marcha”, de Pedro Costa, onde ao personagem principal (imigrante cabo-verdiano) é dito, em tom de elogio, como símbolo de plena integração “tu conseguiste tudo Ventura: água, luz, pensão e bilhete de identidade).
Ora, Wainting for Europe demonstra também, a superação, ainda que parcial, desses obstáculos através de uma atitude activa e empenhada da Vânia. Note-se aqui a forma esquemática mas suficiente, por contraponto ao vazio da vida da Vânia em Espanha, como o documentário caracteriza a estadia desta em Portugal através de fotos de praia e férias, da casa que compartilha com ”apenas” outro casal e, por fim, do “luminoso” passeio de avião.

7. Procuramos demonstrar que o olhar do mundo da Vânia não é neutro nem objectivo, nem afinal, inteiramente feliz. O seu percurso pessoal, apesar do final aberto, termina aparentemente numa ligação afectiva intensa e séria com o seu ex-namorado, mas que é caracterizada pela sua total dependência económica. Mas nesse trajecto a Vânia foi obrigada a “esquecer” o seu trajecto e esperança pessoais que, afinal, foram aqueles que a levaram a ousar partir para obter um futuro economicamente melhor.
Para nós portugueses habituados a uma estrutural, epidémica e negativa baixa estima pode ser útil constatar que, ao fazer parte da Europa, somos, já um espaço de esperança por parte de outros, porventura com mais habilitações que nós, que por local de nascimento ficaram excluídos dessa “terra da abundância”. Nesta medida o tempo e o modo escolhidos para por termo ao documentário são, mais uma vez simbólicos e por isso pouco neutros.
A sequência final revela-nos a Vânia com a sua família próxima a comemorar a passagem de ano, bebendo espumante, observando um fogo de artifício e desejando um futuro melhor ao som do Hino nacional Búlgaro. As estrofes (traduzidas) desse hino, adoptado no período comunista (1964), são em si mesmas reveladoras. Descrevem-nos uma terra da abundância. Todavia, todos os pensamentos das personagens estão direccionados para a Europa, essa nova utopia, quiçá tão irreal e frágil como a anterior que afinal ruiu.
Inteligente antítese final da realizadora alemã que se apresenta, uma vez mais veladamente através do olhar da “sua” personagem forte? Crítica de alguém já vive na terra da abundância e sabe que esta não passa de uma quimera? Puro Cepticismo ?
Não sabemos. Podemos apenas relembrar que o papel dos paradigmas é, ou devia ser, ainda hoje essencial em toda a actividade humana. Num dos livros fundamentais para a construção da civilização Europeia, Aristóteles salientava já que “fazer é aprender. (…) os construtores de casas fazem-se construtores de casas construindo-as e os tocadores de cítara tornam-se tocadores de cítara, tocando-a. Do mesmo modo também nos tornamos justos praticando acções justas, temperados agindo com temperança, e finalmente, tornamo-nos corajosos realizando actos de coragem”.
Talvez devêssemos, pois, compartilhar de alguma da utopia da Vânia e da Ode à Alegria de Schiller, que é desde 1972, o hino da União Europeia, e integrando o estrangeiro na nossa sociedade contribuir para que :

“Todos os homens se tornam irmãos
Onde a tua macia asa passa”.

VJ Tia 60 disse...

Caro Sr anonimo
Eu nao tenho que ser cineasta para dizer mal
critico o que acho que tenho que criticar e ponto
Os premios nao querem dizer nada este pais continua a negar as novas narrativas e acha que valorizar o classico chato é que é, a mim não me importa as criticas, o filme da cristine é chato e não repeita os espectadores. E pronto quanto aos burros deixe os em paz e assine as suas criticas e de a cara que isso e que e importante. Eu Tiago continuarei a criticar o que me apetece!

VJ Tia 60 disse...

ah e criticar nao e destruir ate pelo contarario. O sr é que se sentiu ofendido desculpe sim

VJ Tia 60 disse...

Meu caro sr anonimo
Tambem posso ser mais calmo e resolver isto de outra maneira... Então é assim as pancadinhas nas costas nunca foram beneficas nem interessantes, a critica serve para pensarmos, quando num festival como o doc lisboa temos no fim da projecção do fime da christine, as suas ex colegas de escola muito perto e eu chego me e pergunto gostararam? e dizem me agora não posso falar, isso é que é estranho e são essas coisas que se devem criticar e destruir, agora o sr anonimo vir dar me aulas de retorica com criticas de jornais etc, porque eu disse que o filme era mau, por amor de deus... mais vale dizer tudo na cara que pelas costas e é assim que penso, entendo que o filme possa ter os seus momentos, mas quer lhe custe ou não, o papel dela como realizadora falhou, quando ao fim de uma projecção numa sala com 600 pessoas, quase toda a gente estava ensonada ou assim o parecia, os realizadores nem sempre acertam e ser humilde é bom, nem todos os meus filmes são bons, digo lhe sinceramente que ja falhei muitos. A critica é mesmo bom sinal, é sinal que olharam para nos, eu não sai do filme dela vi-o ate ao fim, agora que o achei mau, achei, lamento, não o quero destruir, mas ela falhou. E digo lhe mais quando vimos de uma rodagem e temos membros da nossa equipa a acharmos que somos ditadores é de desconfiar, eu acho que os filmes não podem ser bons nesses climas, é preciso sentir tudo e ter tudo ao nosso controle, é que o nosso papel como realizadores é faze los andar sozinhos, depois eles tem vida propria. Falhar não e necessariamente mau, falhamos todos, em vez de defender tanto, perceba o que qiero dizer. Boa noite
Tiago Pereira

Anónimo disse...

http://web.mac.com/christine.reeh