segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Filosofias Ribeirinhas

A propósito dos Rios, ele há uma ideia que os Rios ajudam a explicar, à laia de parábola. Na música, como na cultura, aquela que é veiculada em 99% das rádios, TV's e outros medias, os ingleses (e Americanos) apelidaram de "mainstream".


Mainstream Media

Esta expressão, vinda directamente da terminologia ribeirinha, quer dizer "Rio Principal", o que na europa se aplicaria ao Danúbio, ao Sena ou (à nossa escala) ao Tejo. Curiosamente, estes rios "principais", por terem grandes bacias hidrográficas, levam com a poluição toda no lombo, e são rios que do ponto de vista do valor ecológico andam entre o sofrível (com uns quantos peixes, mas sem bosques nem aves nem mamíferos) e a cloaca (algas verdes e taínhas).
Por isso, orgulho-me de pertencer a um grupo musical que não é "mainstream". Somos antes "upstream", uma pequena ribeira de montanha, pouco conhecida, mas que quem a descobre se espanta pela diversidade que alberga, entre melros de água e guarda rios, lontras e toupeiras de água, lagartos de água, salamandras e tritões, narcisos raríssimos e fetos tropicais, bosques e cogumelos multicolores, pequenos açudes, poldras e pontões, moinhos a laborar e socalcos milenares, contruindo um mundo por poucos conhecido mas inesquecível para quem o descobre. Por isso, venham daí aos nossos concertos e bailaricos, para conhecerem uma genuína banda "upstream", com sonoridadades tropicais, energias amazónicas, diversidades estílisticas, irreverencias naturalistas, torrentes criativas tumultuosas e muitas surpresas a cada curva da "ribeira musical" que ousaram franquear.
Por isso, não se deixem contagiar pela monotonia de um Tejo ou pelos odores duvidosos de um Danúbio na foz; atrevam-se a galgar montanhas e a escalar ravinas e venham daí descobrir o "upstream" Folc-Rock-Jazz d'Uxu kalhus.
Mas tenham cuidado, porque estes rios de montanha por vezes levam muita água: não se deixem arrastar pela corrente irresístivel da Xukalhada "Upstream"!

Que as águas oligotróficas e o espírito do Grande Salmão fiquem convosco.


Águas tumultuosas de um Rio "upstream"

Glossário e notas finais - No entanto não esperem ver Melros de água ou salamandras endémicas nas nossas actuações; era uma espécie de metáfora naturalista: a nossa música é rica e diversa como um Rio de Montanha. Estão a ver, não é?
A tirada do Salmão é porque só encarnando o espírito deste musculado peixe é que poderão libertar-se das monotonias dos grandes rios, e subir contra-corrente até chegar às águas cristalinas das montanhas. A parte de desovar e morrer inerente ao ciclo de vida do salmão é facultativa no caso do aspirante a "upstream" Music.

5 comentários:

Paulo disse...

A malta das culturas urbanas apelida a cultura alternativa como subterrânea, "underground". Eu prefiro definitivamente isto da cultura "upstream", muito mais positiva, exposta, e com mais sentido ecológico. Espero que acreditem no visionário que há em mim...

VJ Tia 60 disse...

Oh! tambem quero ser upstream,
sim de facto é isso somos tumultosos mas livres, sem poluição visual e sonora. Nós poluimos criativamente e é sempre bio degradavel.
Mas quanto a mim esqueceste o mais importante, é que na verdade somos como o rio sabor, livres e selvagens. Salvem o sabor.
Festival no sabor urgente
organizem-se

L. Laranjo disse...

Eh pá, eu só quero é saber para quando e onde serão os vossos próximos concertos.
Também quero assistir so vosso "upstreaming" ao vivo.

prócontra disse...

E as barragens, ninguém fala das barrangens?

Vegeta disse...

Curiosamente sao os rios ditos "upstream" que têm o potencial erosivo deixando uma marca proeminente na paisagem, sulcando acentuados vales em outrora suaves terrenos.

No seu plácido percurso, os "maintream" simplesmente carregam a carga erodida dos "upstream". Não imprimem mudanças significativas no relevo e nada acrescentam. Mas entretêm, enquanto correm para a foz.

Sem "margem" para dúvidas, upstream!